Peguei-me sonhando acordada, novamente. Enquanto a aula passava diante dos meus olhos, em minha mente, só passava você, de camisa social e calça jeans. Perdi as contas de quantas maneiras eu imaginei te encontrar. Sonhei acordada com esbarrões na esquina do trabalho; com um encontro acidental no meu restaurante preferido; uma mão no ombro, como quem te chama só pra dar oi, na fila do cinema...
Engraçado como a mente funciona, né? Te elegi a desafio do momento, não faço nada pra te tirar esse título e continuo te olhando com olhos de desejo - assim, à distância, disfarçando com os óculos escuros. As mordidas nos lábios, o sinal mais claro que sei dar, você nem viu. Tinha as mãos firmes no volante e os olhos fixos na estrada.
Com 0% da tua atenção, memorizei teu cheiro, teu rosto, teu óculos de sol e tua barba bem aparada. E peguei-me sonhando acordada, novamente. Lá fora o pôr do sol; aqui dentro, você, de camisa social e calça jeans.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
A namorada do meu amor platônico
Céus! Por quê diabos você tá na minha timeline?!, perguntei. E just like that, eu descobri: a ex namorada do meu melhor amigo está, agora, namorando meu amor platônico de infância. Subiu uns 300 pontos no meu conceito.Ele era aquele tipo de primeiro amor que você decide que ama porque sim. Porque ele te lembra um Backstreet Boy, porque veste roupas pretas e usa um brinquinho de argola na orelha direita, lembrando um roqueiro bad boy, mas cujo nome você nunca chegou a descobrir - meu amor por ele precedeu Orkut e Facebook.
Hoje, ele não é nada para mim. Se é que me despertou alguma coisa, foi saudade de quando eu o amava. Com toda a inocência dos meus 11 anos, eu escrevi pelo menos duas cartas que nunca entreguei; presenciei, à paisana, a primeira vez que ele beijou a primeira namorada e sequei lágrimas que insistiam em correr enquanto eu disfarçava e conversava com minhas amigas.
A vida era mais simples naquele tempo e o que eu sentia, também. A trilha sonora, é claro, era vergonhosa. Mas quem nunca achou que sofreu só pra descobrir, mais tarde, que foi tudo uma brincadeira de criança? Ao menos hoje, do alto dos meus jovens e burros 22 anos, eu vejo as coisas melhores - ou pelo menos, assim eu acho.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Resoluções de 2012
Poucas pessoas entendem a minha fascinação por limpeza e organização. Tudo bem, eu explico: é psicológico. Todas as vezes em que sinto que alguma coisa está errada, que estou agoniada, ou triste, eu tendo a arrumar tudo. E como sou uma típica canceriana, isso acontece com frequência.
Enquanto eu vou colocando cada coisa em seu lugar, eu vou também ajeitando cada pensamento, cada mágoa, cada dúvida ou noite de insônia. Não sei se pelo cansaço físico, ou se pelo poder do processo, mas depois de ter feito tudo isso, eu durmo como um anjo por alguns dias.
Em 2012, decidi que ia ser mais organizada. Este item está em todas as listas de resoluções de ano novo que eu já fiz na vida pelo simples motivo de ela significar também que eu serei mais equilibrada - o que, convenhamos, parece ser um desafio dos grandes para os cancerianos, essas montanhas-russa de sentimentos.
Além disso, também está na minha 'to do list' do ano me formar, ler mais, comer melhor e fazer uma tatuagem. A parte que eu não escrevi, mas que nem por isso deixa de ser oficial, é que eu pretendo me renovar um pouco mais a cada ano. Espero que seja sempre para melhor.
Enquanto eu vou colocando cada coisa em seu lugar, eu vou também ajeitando cada pensamento, cada mágoa, cada dúvida ou noite de insônia. Não sei se pelo cansaço físico, ou se pelo poder do processo, mas depois de ter feito tudo isso, eu durmo como um anjo por alguns dias.
Em 2012, decidi que ia ser mais organizada. Este item está em todas as listas de resoluções de ano novo que eu já fiz na vida pelo simples motivo de ela significar também que eu serei mais equilibrada - o que, convenhamos, parece ser um desafio dos grandes para os cancerianos, essas montanhas-russa de sentimentos.
Além disso, também está na minha 'to do list' do ano me formar, ler mais, comer melhor e fazer uma tatuagem. A parte que eu não escrevi, mas que nem por isso deixa de ser oficial, é que eu pretendo me renovar um pouco mais a cada ano. Espero que seja sempre para melhor.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Sobre a noite passada
Sonhei contigo na noite passada. Há pelo menos
seis meses
que você não aparecia nas minhas madrugadas, mas nessa noite eu sonhei, por algum
motivo, que
ainda estávamos juntos. Andávamos de mãos dadas no centro da
cidade,
procurando por alguma coisa que eu não sei dizer o quê.
Chovia. Mesmo
assim,
sem motivos aparentes, eu parei de andar, puxei a tua mão e te dei um beijo demorado. Quando
você me
perguntou “por quê?”, eu respondi: “porque sim. Porque nunca tomamos um
banho
de chuva juntos”.
Você sorriu e eu acordei com saudades.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Sobre uma nova necessidade
Toparia hoje uma balada de última hora. Lugar escuro, propício para dançar sem ser vista. Som alto, perfeito pra não pensar. E faria tudo sozinha. Nenhuma alma viva naquele ambiente a não ser eu e a música.
E não importaria que mais pessoas estivessem lá. Na minha cabeça, eu estaria sozinha. E dançaria sem jeito, e seria sexy, e pularia, e gritaria, e sorriria. E quando todas as emoções explodissem, choraria se sentisse vontade. E secaria as lágrimas e começaria do começo.
Balançaria o cabelo molhado para os lados e faria caras e bocas encarando o globo de luz, no teto. Gritaria, com força total dos pulmões as letras das minhas músicas preferidas.
Beberia wisky e energético até parar de sentir os pés e o nariz, usaria salto e bico fino, maquiagem carregada e blusa sexy.
...E respiraria. Bem fundo. E saberia exatamente o que fazer a seguir.
E não importaria que mais pessoas estivessem lá. Na minha cabeça, eu estaria sozinha. E dançaria sem jeito, e seria sexy, e pularia, e gritaria, e sorriria. E quando todas as emoções explodissem, choraria se sentisse vontade. E secaria as lágrimas e começaria do começo.
Balançaria o cabelo molhado para os lados e faria caras e bocas encarando o globo de luz, no teto. Gritaria, com força total dos pulmões as letras das minhas músicas preferidas.
Beberia wisky e energético até parar de sentir os pés e o nariz, usaria salto e bico fino, maquiagem carregada e blusa sexy.
...E respiraria. Bem fundo. E saberia exatamente o que fazer a seguir.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Contando uma mera existência
Entrei em pânico às 4h da tarde de um dia de sol, por perceber a grandeza da minha inutlidade. E se alguém contestar, tenho argumentos para uma discussão: Vivo robotizada e isso não há como negar. Não sinto, não penso e durmo apenas para carregar as baterias.
E naquele dia, às 4h da tarde, me peguei pensando no que farei em alguns anos. Não terei mais a faculdade e, portanto, não ocuparei mais as minhas noites com textos e livros. Serei daquelas que dorme cedo, logo depois da novela. E sim, serei daquelas que vê novela.
No dia seguinte, pela manhã, tomarei café com leite e adoçante na lanchonete da esquina, porque não tenho tempo (sic!) de ter o desjejum em casa. E para comer, um pão de queijo. Durante o dia, farei meu trabalho roboticamente, digitando informações de uma maneira que faça sentido e fique legível, enviarei e-mails, atenderei telefones.
No fim da tarde, passarei em frente à academia, me culpando um pouco por matar mais um dia e prometendo a mim mesma que "amanhã eu venho", mas nunca vou. Tomarei um banho, colocarei o pijama e comerei bolachas salgadas enquanto vejo o Jornal Nacional, esperando pela novela.
E ao final da semana, sem dinheiro para gastar e sem ter mais o apoio financeiro dos meus pais, ficarei em casa, na janela, vendo a vida passar.
Pânico. Simples assim, descritível em uma única palavra, foi isso o que senti. E senti na sala de aula, sentanda e impaciente, que eu não tenho futuro.
E naquele dia, às 4h da tarde, me peguei pensando no que farei em alguns anos. Não terei mais a faculdade e, portanto, não ocuparei mais as minhas noites com textos e livros. Serei daquelas que dorme cedo, logo depois da novela. E sim, serei daquelas que vê novela.
No dia seguinte, pela manhã, tomarei café com leite e adoçante na lanchonete da esquina, porque não tenho tempo (sic!) de ter o desjejum em casa. E para comer, um pão de queijo. Durante o dia, farei meu trabalho roboticamente, digitando informações de uma maneira que faça sentido e fique legível, enviarei e-mails, atenderei telefones.
No fim da tarde, passarei em frente à academia, me culpando um pouco por matar mais um dia e prometendo a mim mesma que "amanhã eu venho", mas nunca vou. Tomarei um banho, colocarei o pijama e comerei bolachas salgadas enquanto vejo o Jornal Nacional, esperando pela novela.
E ao final da semana, sem dinheiro para gastar e sem ter mais o apoio financeiro dos meus pais, ficarei em casa, na janela, vendo a vida passar.
Pânico. Simples assim, descritível em uma única palavra, foi isso o que senti. E senti na sala de aula, sentanda e impaciente, que eu não tenho futuro.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Since you've been gone
É tarde. O relógio marca 3:25 da manhã e eu não tenho sono algum, então levanto e abro a janela. O ar frio da madrugada é quase nostálgico, não fosse pela poluição sonora que me traz de volta à realidade. E é isso...
Desde que você se foi, meu sono é perturbado. Nas poucas noites em que consigo dormir, estou sempre virada para o lado esquerdo, de frente para a parede branca do meu quarto. E desde a última vez que dormimos juntos, tento substituir teu calor com uma quantidade exagerada de cobertores, que não surte efeito nenhum exceto por me fazer sentir calor e acordar de madrugada, descoberta e com frio.
Tenho demorado mais no banho, desde o nosso fim. Oscilo entre dietas rigorosas e gulas extremistas com maior frequência e intensidade do que costumava fazer, mas estou bem apesar de tudo. Não tenho lembranças da última vez em que me dediquei tanto à faculdade, aos livros e aos filmes. Vou ao cinema a cada 15 dias e já conheço as músicas que tocam em baladas. Durante o semestre eu li, em média, um livro acadêmico por semana.
Descubro novas músicas e cantoras que compartilho com a lista de contatos do msn e lamento a ausência de amigos durante as férias. Converso um pouco de mim com cada novo(a) amigo(a) que fiz e sorrio para estranhos com maior facilidade, desde que terminamos. Voltei a usar o mesmo perfume de antes de você e a ouvir Eric Clapton no som do carro, todos os dias.
... E nas noites de inverno, antes de me jogar na cama para tentar dormir, tomo um achocolatado quente, vestindo pijama. E é isso o que tenho feito desde que paramos de nos ver. Ainda sinto, a contragosto, a tua falta, mas acho que posso dizer que estou feliz. E espero que esteja também - de todo meu coração.
Desde que você se foi, meu sono é perturbado. Nas poucas noites em que consigo dormir, estou sempre virada para o lado esquerdo, de frente para a parede branca do meu quarto. E desde a última vez que dormimos juntos, tento substituir teu calor com uma quantidade exagerada de cobertores, que não surte efeito nenhum exceto por me fazer sentir calor e acordar de madrugada, descoberta e com frio.
Tenho demorado mais no banho, desde o nosso fim. Oscilo entre dietas rigorosas e gulas extremistas com maior frequência e intensidade do que costumava fazer, mas estou bem apesar de tudo. Não tenho lembranças da última vez em que me dediquei tanto à faculdade, aos livros e aos filmes. Vou ao cinema a cada 15 dias e já conheço as músicas que tocam em baladas. Durante o semestre eu li, em média, um livro acadêmico por semana.
Descubro novas músicas e cantoras que compartilho com a lista de contatos do msn e lamento a ausência de amigos durante as férias. Converso um pouco de mim com cada novo(a) amigo(a) que fiz e sorrio para estranhos com maior facilidade, desde que terminamos. Voltei a usar o mesmo perfume de antes de você e a ouvir Eric Clapton no som do carro, todos os dias.
... E nas noites de inverno, antes de me jogar na cama para tentar dormir, tomo um achocolatado quente, vestindo pijama. E é isso o que tenho feito desde que paramos de nos ver. Ainda sinto, a contragosto, a tua falta, mas acho que posso dizer que estou feliz. E espero que esteja também - de todo meu coração.
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