Se eu tiver que me apaixonar de novo, terá que ser por alguém que saiba dançar; alguém que saiba cantar; que seja bom em matemática e que goste de abraços tanto quanto todo o resto.
Se eu tiver que me apaixonar de novo, terá que ser por alguém que sorria silenciosamente; alguém que se importe, só um pouco, com o cabelo e que tenha um senso de humor parecido com o meu.
Se eu tiver que me apaixonar de novo, terá que ser por alguém que me retribua e que fale quando é necessário; alguém que inspire profundamente quando me abraça e que saiba como usar as mãos.
Mas só se tiver que acontecer...
Se não, não vai.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
Big Brother da vida real
Mal amanhecia o dia, tocava o despertador. Lívia levantava sonolenta, no automático. Não se importava em colocar uma roupa, já que tomaria banho depois e, por cinco minutos, alongava todos os músculos do seu corpo. Dobrava as cobertas, estendia o lençol, arrumava os travesseiros de maneira que ficassem bonitos sobre a cama.
No chuveiro, tomava banho de janela aberta. A ducha era seu momento relaxante do dia. Sempre foi assim, sempre gostou da água quentinha tocando sua pele arrepiada por conta dos minutos semi-nua que passava antes do banho. De volta ao seu quarto, Lívia escolhia a roupa do dia, passava creme no corpo e se arrumava. Todas as manhãs, sua rotina era igual.
No desjejum, tomava meio copo de iogurte e comia uma única fatia de pão integral com margarina light. Comia em frente à TV, assistindo ao Bom dia Brasil. Era o único momento do dia que tinha para se informar e fazia questão de acordar mais cedo, só para assistí-lo. Antes de sair, Lívia fechava todas as janelas.
Durante o dia, as coisas seguiam um curso normal. Ônibus lotado em direção ao centro, ela sentia que era sorte quando conseguia sentar e abrir seu livro. No trabalho, a correria era sempre a mesma. O telefone não parava de tocar, os emails não paravam de chegar e a lista de afazeres não parava de crescer. Mas os 10 minutos para o seu café, eram sagrados. Todas as tardes, as 16h, Lívia parava tudo. Ia ao banheiro, lavava bem o rosto e as mãos e seguia em direção à cozinha. Preparava um café forte e abria uma barra de cereais para acompanhar. Como um botão de desliga, o cheiro do café e a mastigação automática a acalmavam.
A noite, ia à academia. Não sabia bem porque, mas todos os dias marcava presença e malhava principalmente os glúteos. Não gostava do seu quadril e pernas finas, não estava 100% satisfeita com sua barriga, mas no geral seu corpo a agradava. Ao chegar em casa, tomava banho mais uma vez e adormecia lendo algum romance.
De repente, viu um vulto. Procurou por alguma coisa confusa, mas não viu nada de mais. Olhou o céu. Chovia, mas as nuvens tinham texturas diferentes e pintavam o céu com tons de cinza... Um novo vulto, mas dessa vez ela conseguiu identificá-lo. O vizinho do prédio ao lado, do andar acima a observava escondido atrás de um pilar. “Ótimo”, pensou. “E eu aqui, só de calcinha”.
Demorou um pouco até que Lívia se tocasse que realmente estava só de calcinha e que estava sendo observada. Com o instinto de quem é tímido, ficou perdida e fechou a janela. Não gostou da sensação de ser vigiada e convenceu-se a dormir. No dia seguinte, fez quase tudo igual. Lavou roupa e, de pijama e shortinho curto, a estendeu na sacada quando, mais uma vez, notou que alguém a espreitava.
“Há quanto tempo?”, perguntou a si mesma. Começou a lembrar, uma por uma, de todas as vezes em que deitou nua na cama depois de uma noite difícil na academia e um banho quente. Pensou em todas as vezes em que se tocou, em todos os alongamentos das suas manhãs, em todo o tempo que passava nua, em frente à janela, escolhendo a roupa que usaria no dia.
Ponderou sobre o quanto seu vizinho sabia de sua vida e esperou, pacientemente, que ele aparecesse na janela, novamente. “Talvez seja uma nóia minha”, pensou. Mas eis que aquela careca ressurgiu e se escondeu atrás do pilar por mais três vezes antes dela resolver ir dormir.
“Há quanto tempo?”. E agora Lívia estuda uma nova rotina. Uma que não envolva janelas abertas.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
One night stand
No dia seguinte é que foi tenso. Levantei com o lençol enrolado no corpo - instinto de quem é tímido - e caminhei, pé por pé, em direção ao banheiro. Dei-me o direito de demorar. A água que corria pelo corpo parecia levar embora a dor de cabeça e a ressaca. Passei creme nas pernas, sequei o cabelo e me maquiei. Voltei ao quarto, vesti-me com cuidado para não fazer barulho e o acordei.
Não disse nada, mas forcei um sorriso e ele entendeu o recado - Um 'levanta da minha cama' disfarçado de 'bom dia'. Mesmo tentado a curtir uma preguiça, o fato de estar em uma cama alheia o fez levantar rápido. Escondendo-se entre as cobertas, ele achou a cueca jogada no chão e a vestiu.
Tomamos café em silêncio e caminhamos juntos para o trabalho. O silêncio é, muito provavelmente, a pior parte de tudo. Você fica tentando entender o que diabos aconteceu, lembra de uns lances constrangedores, embora bons, e sabe que ele está fazendo o mesmo. Só não sabe quais são os lances que ele está lembrando.
Chegamos. Para na porta, respira e prepara o sorriso. Entra e age como se nada tivesse acontecido e ele também. Não fosse pela sua amizade de todos os dias e pelo gelo que surgiu 'sem motivos', ninguém jamais perceberia.
Reunião na hora do almoço. Eu, o cliente e ele. Checo os emails esperando ver um 'cancelamento' nos assuntos, mas nada ali te chama a atenção, exceto um spam. Papéis arrumados, roupa alinhada, maquiagem retocada. Passa na mesa do colega, certifica-se de que está tudo bem e partem para a reunião/almoço.
Contrato fechado. Tudo iria bem, não fosse o comentário infeliz do mais novo cliente: "Nossa, vocês dois se entrosam direitinho, hein? Fiquei até sem argumentos pra negar o contrato" diz, bem-humorado. Você até fica vermelha, mas dá graças a deus que está maquiada e nem deve dar de perceber. Acompanha as risadas. Tudo friamente calculado.
No caminho de volta, seu colega comenta contigo o blush instantâneo que surgiu no seu rosto logo após o almoço. "E aí está ele de novo!", brinca. É a primeira vez do dia que você sorri sem pensar. E aí você para, pensa no assunto, sorri de novo e toca o cabelo. "Até que... não foi tão ruim assim", pensa. E disfarça o blush instantâneo que insiste em ressurgir.
Não disse nada, mas forcei um sorriso e ele entendeu o recado - Um 'levanta da minha cama' disfarçado de 'bom dia'. Mesmo tentado a curtir uma preguiça, o fato de estar em uma cama alheia o fez levantar rápido. Escondendo-se entre as cobertas, ele achou a cueca jogada no chão e a vestiu.
Tomamos café em silêncio e caminhamos juntos para o trabalho. O silêncio é, muito provavelmente, a pior parte de tudo. Você fica tentando entender o que diabos aconteceu, lembra de uns lances constrangedores, embora bons, e sabe que ele está fazendo o mesmo. Só não sabe quais são os lances que ele está lembrando.
Chegamos. Para na porta, respira e prepara o sorriso. Entra e age como se nada tivesse acontecido e ele também. Não fosse pela sua amizade de todos os dias e pelo gelo que surgiu 'sem motivos', ninguém jamais perceberia.
Reunião na hora do almoço. Eu, o cliente e ele. Checo os emails esperando ver um 'cancelamento' nos assuntos, mas nada ali te chama a atenção, exceto um spam. Papéis arrumados, roupa alinhada, maquiagem retocada. Passa na mesa do colega, certifica-se de que está tudo bem e partem para a reunião/almoço.
Contrato fechado. Tudo iria bem, não fosse o comentário infeliz do mais novo cliente: "Nossa, vocês dois se entrosam direitinho, hein? Fiquei até sem argumentos pra negar o contrato" diz, bem-humorado. Você até fica vermelha, mas dá graças a deus que está maquiada e nem deve dar de perceber. Acompanha as risadas. Tudo friamente calculado.
No caminho de volta, seu colega comenta contigo o blush instantâneo que surgiu no seu rosto logo após o almoço. "E aí está ele de novo!", brinca. É a primeira vez do dia que você sorri sem pensar. E aí você para, pensa no assunto, sorri de novo e toca o cabelo. "Até que... não foi tão ruim assim", pensa. E disfarça o blush instantâneo que insiste em ressurgir.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Almoço de domingo
Canelas e pés inchados, algumas varises estouradas e muita dor, sorriso na boca e disposição infinita. Geni está preparando o almoço de domingo. A casa está cheia - 20 pessoas, no mínimo - mas ainda faltam mais três ou quatro. "Tudo bem, não tem problema".
No fogão de seis bocas, seis panelas diferentes. Arroz, feijão, macarrão, carne de gado na panela de pressão, polenta e carne de porco. No fogão à lenha, quirera e duas chaleiras esquentando água. Na geladeira, quase sem espaço, um bolo de amendoim "feito assim, no improviso, só porque fiquei sabendo que você vinha", diz ela.
Todo mundo ali, começa a comilança. A mesa, pequena, não tem espaço para todo mundo. Dolly, a cachorra, cheira todos os pés e encara todos os pratos. O sofá, singelo, está lotado, também. Geni não se senta. Faz um sanduíche com pão francês, beterraba e cebola e se delicia. Nunca vi ninguém gostar de alguma coisa assim, mas ela sorri. Os olhos, marcados pelas expressões, buscam atentamente todos os copos, todos pratos, para ter certeza de que tudo está em ordem.
O acúmulo dos pratos ao fim do almoço e o descaso de todas as visitas não a aborrecem. Geni separa, pacientemente, todo o resto de comida e o divide entre Dolly e os cachorros dos vizinhos. Alguém se prontifica a lavar a louça. Outra pessoa começa a secar. As chaleiras de água são esvaziadas. Duas garrafas de café e o bolinho improvisado para 25 pessoas. Todas recebem prato, garfinho e uma xícara de café enquanto as pessoas conversam e combinam o jantar.
A mesa ganha, agora, outra toalha e outro tipo de função. Geni busca o baralho, o caderno e a caneta entonando canções de igreja. A família toda joga, aposta, grita, perde dinheiro. Geni não joga. Só assiste, dá risada. Recolhe a louça, passa a pasta e a lixa no fogão à lenha. Usa bombril no fogão de seis bocas e organiza a casa toda.
16h, mais um cafezinho. 20h, Jeni liga o forno. 21h, o jantar está na mesa. A novela toda se repete: Canelas e pés inchados, algumas varises estouradas e muita dor, sorriso na boca e disposição infinita.
No fogão de seis bocas, seis panelas diferentes. Arroz, feijão, macarrão, carne de gado na panela de pressão, polenta e carne de porco. No fogão à lenha, quirera e duas chaleiras esquentando água. Na geladeira, quase sem espaço, um bolo de amendoim "feito assim, no improviso, só porque fiquei sabendo que você vinha", diz ela.
Todo mundo ali, começa a comilança. A mesa, pequena, não tem espaço para todo mundo. Dolly, a cachorra, cheira todos os pés e encara todos os pratos. O sofá, singelo, está lotado, também. Geni não se senta. Faz um sanduíche com pão francês, beterraba e cebola e se delicia. Nunca vi ninguém gostar de alguma coisa assim, mas ela sorri. Os olhos, marcados pelas expressões, buscam atentamente todos os copos, todos pratos, para ter certeza de que tudo está em ordem.
O acúmulo dos pratos ao fim do almoço e o descaso de todas as visitas não a aborrecem. Geni separa, pacientemente, todo o resto de comida e o divide entre Dolly e os cachorros dos vizinhos. Alguém se prontifica a lavar a louça. Outra pessoa começa a secar. As chaleiras de água são esvaziadas. Duas garrafas de café e o bolinho improvisado para 25 pessoas. Todas recebem prato, garfinho e uma xícara de café enquanto as pessoas conversam e combinam o jantar.
A mesa ganha, agora, outra toalha e outro tipo de função. Geni busca o baralho, o caderno e a caneta entonando canções de igreja. A família toda joga, aposta, grita, perde dinheiro. Geni não joga. Só assiste, dá risada. Recolhe a louça, passa a pasta e a lixa no fogão à lenha. Usa bombril no fogão de seis bocas e organiza a casa toda.
16h, mais um cafezinho. 20h, Jeni liga o forno. 21h, o jantar está na mesa. A novela toda se repete: Canelas e pés inchados, algumas varises estouradas e muita dor, sorriso na boca e disposição infinita.
domingo, 24 de outubro de 2010
Nenhuma Ocorrência
Domingo é geralmente um dia calmo. As 17:36, do dia 24 de outubro - um domingo - eu telefonei para a 5ª Delegacia da Polícia Capital e encontrei nenhuma resposta aos meus apelos por uma nota exclusiva. "Nenhuma ocorrência, graças a Deus", disse o bem humorado policial, Claudeonor, do outro lado da linha. Eu insisti: "Mas nada mesmo?". "Nope. Nadinha". E eu podia sentir o sorriso em sua fala.
Domingo é mesmo um dia sagrado... Nem acidentes acontencem.
Tentei então ligar para a 6ª DP, localizada no centro da cidade, em uma das mais movimentadas ruas de Floripa: Mauro Ramos. "Mas... Nada mesmo?". "É, hoje tá parado aqui"...
Na Centra da Polícia de Florianópolis a resposta foi "Ih, meu amor, hoje tá todo mundo na praia, ninguém saiu pra roubar ou cometer crime, não." disse o delegado. Mais um sorriso que eu "ouvir" e eu mesma vou sair e fazer alguma ocorrência!
Domingo é mesmo um dia sagrado... Nem acidentes acontencem.
Tentei então ligar para a 6ª DP, localizada no centro da cidade, em uma das mais movimentadas ruas de Floripa: Mauro Ramos. "Mas... Nada mesmo?". "É, hoje tá parado aqui"...
Na Centra da Polícia de Florianópolis a resposta foi "Ih, meu amor, hoje tá todo mundo na praia, ninguém saiu pra roubar ou cometer crime, não." disse o delegado. Mais um sorriso que eu "ouvir" e eu mesma vou sair e fazer alguma ocorrência!
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Sobre o início do dia
Depois de um tempo a gente se acostuma a dormir junto. O aconchego, o abraço, o cheiro da pessoa amada.
Dormir sozinha é fácil. A gente toma um bom banho e faz daquele momento uma coisa única, só nossa. Se estica na cama, respira fundo, relaxa e o sono logo vem.
A parte difícil é acordar. Abrir os olhos e não ver ao lado alguém que te deixa feliz; não receber aquele beijo disfarçando o mal-hálito da manhã, ou o abraço - instinto de quando toca o despertador. Descer as escadas sem ouvir voz nenhuma a te dizer "bom dia", tomar café da manhã sentindo saudades e escovar os dentes sem precisar disputar pelo espaço da pia.
São as coisas mais simples que nos fazem amar mais.
Dormir sozinha é fácil. A gente toma um bom banho e faz daquele momento uma coisa única, só nossa. Se estica na cama, respira fundo, relaxa e o sono logo vem.
A parte difícil é acordar. Abrir os olhos e não ver ao lado alguém que te deixa feliz; não receber aquele beijo disfarçando o mal-hálito da manhã, ou o abraço - instinto de quando toca o despertador. Descer as escadas sem ouvir voz nenhuma a te dizer "bom dia", tomar café da manhã sentindo saudades e escovar os dentes sem precisar disputar pelo espaço da pia.
São as coisas mais simples que nos fazem amar mais.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Ensaiando a liberdade
Hoje está me fazendo bem relembrar velhos amores.
Tirei férias de você, do seu jeito paternalista e dos seus cuidados. Te mandei pra longe e fiquei parada, olhando você se afastar. Não sei bem por que razão eu fiz isso, mas me pareceu tão certo que o fiz. E disse 'tchau' sem sentir culpa, tristeza ou qualquer coisa que sinto quando me despeço.
Disse a mim mesma que era porque eu sabia que veria seu rosto novamente em breve, mas sejamos francos: eu precisava de férias. Você nunca entendeu que eu acho saudável sentir saudades e que gosto de separar os nossos espaços. Nem nunca entendeu que tento te agradar de mais. Lentamente cresce em mim o medo de que você não me mude em nada, mas que eu acabe mudando por você. Antes de ti eu me conhecia, agora eu já não sei.
Não entenda mal esse nosso tempo sozinho. Eu só preciso ter certeza de que ainda existo sem você. Por isso hoje está me fazendo bem relembrar velhos amores, mas não só eles. Também me faz bem lembrar velhos rancores, traumas, feridas profundas cujos pontos arrebentam de vez em quando... São todas marcas minhas. Elas podem não ser belas, mas me fizeram quem eu sou. E eu acho natural ter que passar tempo com elas, com todas essas marcas, cicatrizes, esses defeitos meus.
De vez em quando preciso me encontrar com o resto de mim para mantê-lo intacto e talvez recuperar os pedaços do que eu era que se perderam no caminho.
Pode parece que não, mas aos meus olhos você é tão perfeito que dói. Dói ver em você o que eu queria ser, a certeza que queria ter, a autoconfiança que me falta, a determinação que admiro... Dói tanto que as vezes eu quero te evitar só para ver se te abalo nem que seja um único fio de cabelo. E então, quem sabe assim, fazendo tudo isso, eu volto a ser aquela por quem você se apaixonou, não é mesmo? Porque, querido, eu sei que eu mudei. E sei que você não está satisfeito.
Tirei férias de você, do seu jeito paternalista e dos seus cuidados. Te mandei pra longe e fiquei parada, olhando você se afastar. Não sei bem por que razão eu fiz isso, mas me pareceu tão certo que o fiz. E disse 'tchau' sem sentir culpa, tristeza ou qualquer coisa que sinto quando me despeço.
Disse a mim mesma que era porque eu sabia que veria seu rosto novamente em breve, mas sejamos francos: eu precisava de férias. Você nunca entendeu que eu acho saudável sentir saudades e que gosto de separar os nossos espaços. Nem nunca entendeu que tento te agradar de mais. Lentamente cresce em mim o medo de que você não me mude em nada, mas que eu acabe mudando por você. Antes de ti eu me conhecia, agora eu já não sei.
Não entenda mal esse nosso tempo sozinho. Eu só preciso ter certeza de que ainda existo sem você. Por isso hoje está me fazendo bem relembrar velhos amores, mas não só eles. Também me faz bem lembrar velhos rancores, traumas, feridas profundas cujos pontos arrebentam de vez em quando... São todas marcas minhas. Elas podem não ser belas, mas me fizeram quem eu sou. E eu acho natural ter que passar tempo com elas, com todas essas marcas, cicatrizes, esses defeitos meus.
De vez em quando preciso me encontrar com o resto de mim para mantê-lo intacto e talvez recuperar os pedaços do que eu era que se perderam no caminho.
Pode parece que não, mas aos meus olhos você é tão perfeito que dói. Dói ver em você o que eu queria ser, a certeza que queria ter, a autoconfiança que me falta, a determinação que admiro... Dói tanto que as vezes eu quero te evitar só para ver se te abalo nem que seja um único fio de cabelo. E então, quem sabe assim, fazendo tudo isso, eu volto a ser aquela por quem você se apaixonou, não é mesmo? Porque, querido, eu sei que eu mudei. E sei que você não está satisfeito.
Assinar:
Postagens (Atom)