O mesmo vale para as dores do amor. A primeira vez que a sentimos é devastador. O coração dói tanto que parece estar tentando se rasgar em mil pedaços e tentar se manter em pé e inteira toma tanta energia que por um tempo tudo o que queremos é ficar deitada, escondida do mundo. Somos animal ferido, gato machucado que, quando tem uma ferida, procura esconderijo para lambê-la.
Como acontece quando levamos um susto, o cérebro vai à exaustão tentando compreender o que aconteceu, tentando entender porque, neste caso, um mais um não é igual a dois. E sim, isso é clichê, mas
convenhamos, também o é qualquer fim de amor. E sem entender e já cansada, dói também a cabeça.

Mas, eventualmente, isso também passa. A primeira vez que eu senti tudo isso, liguei desesperada para o meu irmão. Não foi a mãe ou a irmã, mulheres que teriam empatia e talvez compartilhassem da minha dor... Foi o irmão, porque eu sabia que precisava de um choque de realidade. E foi o que aconteceu.
— Ah, mana... Eu entendo a tua dor, já a senti também. E embora eu não goste de te ver é assim, não há o que fazer. Uma vez, quando você era pequena, me viu saltando de bicicleta do alto de uma rampa. Você estava de patins e tentou fazer o mesmo. É óbvio que você caiu. E foi feio: ralou os dois joelhos e deixou sangue na pista. Eu fiquei assustado, te levei pra casa no colo e, quando eu cheguei lá, a mãe passou "metiolate" pra limpar. Você gritava... Eu sabia que doía muito mais agora, mas era necessário limpar o ferimento.
Você ia continuar andando, embora com dor por algum tempo, e levando a vida normalmente. Até que um dia o machucado viraria cicatriz pra te lembrar que saltar de uma rampa sem saber o que está fazendo é burrice. E é a mesma coisa agora: eu sei que dói. Mas não mata.
Uhmmmm... escorregou uma lágrima aqui!
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