domingo, 8 de julho de 2012

Ode à releitura

Quem diz que voltar para um amor antigo é como ler um livro pela segunda vez, ou nunca realmente voltou a um amor antigo, ou nunca leu um bom livro.

Eu parto da opinião de que amores antigos não existem. Eles morrem no momento em que os dois personagens principais dizem 'chega' e fazem algo que os transforma para sempre: tomam a decisão de terminar. Quando se tenta reviver um amor antigo, o único caminho é a decepção. Você mudou, ele(a) mudou. E se mudam os protagonistas, o romance não pode ser o mesmo.

... Já um livro nunca muda. Você volta a ele, como que para retornar a uma época da sua vida e funciona. Ele permanece igual, com o mesmo conteúdo e com as mesmas magias que um dia te conquistaram. E se você mudou, não tem problema: interpreta de uma nova maneira, aprende a ver o outro lado da moeda. Mas sabendo que a base continua a mesma, não há riscos a correr. Nem decepções no fim do túnel.

domingo, 24 de junho de 2012

A insustentável leveza do ser

"Não existe meio de verificar qual é decisão acertada, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que leva a vida a parecer sempre um esboço. No entanto, mesmo esboço não é a palavra certa, pois um esboço é sempre o projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro.
Tomas repete para si mesmo o provérbio alemão: einmal ist keinmal, uma vez não conta, uma vez é nunca. Poder viver apenas uma vida é como não viver nunca."

(KUNDERA, Milan. A insustentável levez do ser.)
Também conhecido como "o meu livro preferido"

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Rímel, base, blush e coragem

Me vê uma dose de coragem e uma taça de vinho, por favor. É hoje que eu culpo o álcool e mando aquela mensagem salva como rascunho há pelo menos três semanas. E se funcionar de eu conseguir a atenção dele, é hoje que eu retribuo o abraço apertado e a cheirada no pescoço que ele me deu na última vez que nos vimos.

Não passa de hoje a continuação da conversa que ele tentou começar naquela noite e juro que nem me importo em falar sobre a chuva que caiu de repente. Aliás, se der certo de eu conseguir a atenção dele, é hoje que eu uso a falta da sombrinha e o cabelo molhado a meu favor.

E se der errado, foi engano. Afinal de contas, quem aqui nunca, né, meu amigo?

*Título roubado da Fê Pessoa

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Daydream and sunglasses

Peguei-me sonhando acordada, novamente. Enquanto a aula passava diante dos meus olhos, em minha mente, só passava você, de camisa social e calça jeans. Perdi as contas de quantas maneiras eu imaginei te encontrar. Sonhei acordada com esbarrões na esquina do trabalho; com um encontro acidental no meu restaurante preferido; uma mão no ombro, como quem te chama só pra dar oi, na fila do cinema...

Engraçado como a mente funciona, né? Te elegi a desafio do momento, não faço nada pra te tirar esse título e continuo te olhando com olhos de desejo - assim, à distância, disfarçando com os óculos escuros. As mordidas nos lábios, o sinal mais claro que sei dar, você nem viu. Tinha as mãos firmes no volante e os olhos fixos na estrada.

Com 0% da tua atenção, memorizei teu cheiro, teu rosto, teu óculos de sol e tua barba bem aparada. E peguei-me sonhando acordada, novamente. Lá fora o pôr do sol; aqui dentro, você, de camisa social e calça jeans.


quarta-feira, 21 de março de 2012

A namorada do meu amor platônico

Céus! Por quê diabos você tá na minha timeline?!, perguntei. E just like that, eu descobri: a ex namorada do meu melhor amigo está, agora, namorando meu amor platônico de infância. Subiu uns 300 pontos no meu conceito.

Ele era aquele tipo de primeiro amor que você decide que ama porque sim. Porque ele te lembra um Backstreet Boy, porque veste roupas pretas e usa um brinquinho de argola na orelha direita, lembrando um roqueiro bad boy, mas cujo nome você nunca chegou a descobrir - meu amor por ele precedeu Orkut e Facebook.

Hoje, ele não é nada para mim. Se é que me despertou alguma coisa, foi saudade de quando eu o amava. Com toda a inocência dos meus 11 anos, eu escrevi pelo menos duas cartas que nunca entreguei; presenciei, à paisana, a primeira vez que ele beijou a primeira namorada e sequei lágrimas que insistiam em correr enquanto eu disfarçava e conversava com minhas amigas.

A vida era mais simples naquele tempo e o que eu sentia, também. A trilha sonora, é claro, era vergonhosa. Mas quem nunca achou que sofreu só pra descobrir, mais tarde, que foi tudo uma brincadeira de criança? Ao menos hoje, do alto dos meus jovens e burros 22 anos, eu vejo as coisas melhores - ou pelo menos, assim eu acho.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Resoluções de 2012

Poucas pessoas entendem a minha fascinação por limpeza e organização. Tudo bem, eu explico: é psicológico. Todas as vezes em que sinto que alguma coisa está errada, que estou agoniada, ou triste, eu tendo a arrumar tudo. E como sou uma típica canceriana, isso acontece com frequência.

Enquanto eu vou colocando cada coisa em seu lugar, eu vou também ajeitando cada pensamento, cada mágoa, cada dúvida ou noite de insônia. Não sei se pelo cansaço físico, ou se pelo poder do processo, mas depois de ter feito tudo isso, eu durmo como um anjo por alguns dias.

Em 2012, decidi que ia ser mais organizada. Este item está em todas as listas de resoluções de ano novo que eu já fiz na vida pelo simples motivo de ela significar também que eu serei mais equilibrada - o que, convenhamos, parece ser um desafio dos grandes para os cancerianos, essas montanhas-russa de sentimentos.

Além disso, também está na minha 'to do list' do ano me formar, ler mais, comer melhor e fazer uma tatuagem. A parte que eu não escrevi, mas que nem por isso deixa de ser oficial, é que eu pretendo me renovar um pouco mais a cada ano. Espero que seja sempre para melhor.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sobre a noite passada

Sonhei contigo na noite passada. Há pelo menos seis meses que você não aparecia nas minhas madrugadas, mas nessa noite eu sonhei, por algum motivo, que ainda estávamos juntos. Andávamos de mãos dadas no centro da cidade, procurando por alguma coisa que eu não sei dizer o quê. 

Chovia. Mesmo assim, sem motivos aparentes, eu parei de andar, puxei a tua mão e te dei um beijo demorado. Quando você me perguntou “por quê?”, eu respondi: “porque sim. Porque nunca tomamos um banho de chuva juntos”. 

Você sorriu e eu acordei com saudades.

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