quinta-feira, 14 de junho de 2012

Rímel, base, blush e coragem

Me vê uma dose de coragem e uma taça de vinho, por favor. É hoje que eu culpo o álcool e mando aquela mensagem salva como rascunho há pelo menos três semanas. E se funcionar de eu conseguir a atenção dele, é hoje que eu retribuo o abraço apertado e a cheirada no pescoço que ele me deu na última vez que nos vimos.

Não passa de hoje a continuação da conversa que ele tentou começar naquela noite e juro que nem me importo em falar sobre a chuva que caiu de repente. Aliás, se der certo de eu conseguir a atenção dele, é hoje que eu uso a falta da sombrinha e o cabelo molhado a meu favor.

E se der errado, foi engano. Afinal de contas, quem aqui nunca, né, meu amigo?

*Título roubado da Fê Pessoa

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Daydream and sunglasses

Peguei-me sonhando acordada, novamente. Enquanto a aula passava diante dos meus olhos, em minha mente, só passava você, de camisa social e calça jeans. Perdi as contas de quantas maneiras eu imaginei te encontrar. Sonhei acordada com esbarrões na esquina do trabalho; com um encontro acidental no meu restaurante preferido; uma mão no ombro, como quem te chama só pra dar oi, na fila do cinema...

Engraçado como a mente funciona, né? Te elegi a desafio do momento, não faço nada pra te tirar esse título e continuo te olhando com olhos de desejo - assim, à distância, disfarçando com os óculos escuros. As mordidas nos lábios, o sinal mais claro que sei dar, você nem viu. Tinha as mãos firmes no volante e os olhos fixos na estrada.

Com 0% da tua atenção, memorizei teu cheiro, teu rosto, teu óculos de sol e tua barba bem aparada. E peguei-me sonhando acordada, novamente. Lá fora o pôr do sol; aqui dentro, você, de camisa social e calça jeans.


quarta-feira, 21 de março de 2012

A namorada do meu amor platônico

Céus! Por quê diabos você tá na minha timeline?!, perguntei. E just like that, eu descobri: a ex namorada do meu melhor amigo está, agora, namorando meu amor platônico de infância. Subiu uns 300 pontos no meu conceito.

Ele era aquele tipo de primeiro amor que você decide que ama porque sim. Porque ele te lembra um Backstreet Boy, porque veste roupas pretas e usa um brinquinho de argola na orelha direita, lembrando um roqueiro bad boy, mas cujo nome você nunca chegou a descobrir - meu amor por ele precedeu Orkut e Facebook.

Hoje, ele não é nada para mim. Se é que me despertou alguma coisa, foi saudade de quando eu o amava. Com toda a inocência dos meus 11 anos, eu escrevi pelo menos duas cartas que nunca entreguei; presenciei, à paisana, a primeira vez que ele beijou a primeira namorada e sequei lágrimas que insistiam em correr enquanto eu disfarçava e conversava com minhas amigas.

A vida era mais simples naquele tempo e o que eu sentia, também. A trilha sonora, é claro, era vergonhosa. Mas quem nunca achou que sofreu só pra descobrir, mais tarde, que foi tudo uma brincadeira de criança? Ao menos hoje, do alto dos meus jovens e burros 22 anos, eu vejo as coisas melhores - ou pelo menos, assim eu acho.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Resoluções de 2012

Poucas pessoas entendem a minha fascinação por limpeza e organização. Tudo bem, eu explico: é psicológico. Todas as vezes em que sinto que alguma coisa está errada, que estou agoniada, ou triste, eu tendo a arrumar tudo. E como sou uma típica canceriana, isso acontece com frequência.

Enquanto eu vou colocando cada coisa em seu lugar, eu vou também ajeitando cada pensamento, cada mágoa, cada dúvida ou noite de insônia. Não sei se pelo cansaço físico, ou se pelo poder do processo, mas depois de ter feito tudo isso, eu durmo como um anjo por alguns dias.

Em 2012, decidi que ia ser mais organizada. Este item está em todas as listas de resoluções de ano novo que eu já fiz na vida pelo simples motivo de ela significar também que eu serei mais equilibrada - o que, convenhamos, parece ser um desafio dos grandes para os cancerianos, essas montanhas-russa de sentimentos.

Além disso, também está na minha 'to do list' do ano me formar, ler mais, comer melhor e fazer uma tatuagem. A parte que eu não escrevi, mas que nem por isso deixa de ser oficial, é que eu pretendo me renovar um pouco mais a cada ano. Espero que seja sempre para melhor.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sobre a noite passada

Sonhei contigo na noite passada. Há pelo menos seis meses que você não aparecia nas minhas madrugadas, mas nessa noite eu sonhei, por algum motivo, que ainda estávamos juntos. Andávamos de mãos dadas no centro da cidade, procurando por alguma coisa que eu não sei dizer o quê. 

Chovia. Mesmo assim, sem motivos aparentes, eu parei de andar, puxei a tua mão e te dei um beijo demorado. Quando você me perguntou “por quê?”, eu respondi: “porque sim. Porque nunca tomamos um banho de chuva juntos”. 

Você sorriu e eu acordei com saudades.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Sobre uma nova necessidade

Toparia hoje uma balada de última hora. Lugar escuro, propício para dançar sem ser vista. Som alto, perfeito pra não pensar. E faria tudo sozinha. Nenhuma alma viva naquele ambiente a não ser eu e a música.
E não importaria que mais pessoas estivessem lá. Na minha cabeça, eu estaria sozinha. E dançaria sem jeito, e seria sexy, e pularia, e gritaria, e sorriria. E quando todas as emoções explodissem, choraria se sentisse vontade. E secaria as lágrimas e começaria do começo.
Balançaria o cabelo molhado para os lados e faria caras e bocas encarando o globo de luz, no teto. Gritaria, com força total dos pulmões as letras das minhas músicas preferidas.
Beberia wisky e energético até parar de sentir os pés e o nariz, usaria salto e bico fino, maquiagem carregada e  blusa sexy.
...E respiraria. Bem fundo. E saberia exatamente o que fazer a seguir.


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Contando uma mera existência

Entrei em pânico às 4h da tarde de um dia de sol, por perceber a grandeza da minha inutlidade. E se alguém contestar, tenho argumentos para uma discussão: Vivo robotizada e isso não há como negar. Não sinto, não penso e durmo apenas para carregar as baterias.

E naquele dia, às 4h da tarde, me peguei pensando no que farei em alguns anos. Não terei mais a faculdade e, portanto, não ocuparei mais as minhas noites com textos e livros. Serei daquelas que dorme cedo, logo depois da novela. E sim, serei daquelas que vê novela.

No dia seguinte, pela manhã, tomarei café com leite e adoçante na lanchonete da esquina, porque não tenho tempo (sic!) de ter o desjejum em casa. E para comer, um pão de queijo. Durante o dia, farei meu trabalho roboticamente, digitando informações de uma maneira que faça sentido e fique legível, enviarei e-mails, atenderei telefones.

No fim da tarde, passarei em frente à academia, me culpando um pouco por matar mais um dia e prometendo a mim mesma que "amanhã eu venho", mas nunca vou. Tomarei um banho, colocarei o pijama e comerei bolachas salgadas enquanto vejo o Jornal Nacional, esperando pela novela.

E ao final da semana, sem dinheiro para gastar e sem ter mais o apoio financeiro dos meus pais, ficarei em casa, na janela, vendo a vida passar.
 
Pânico. Simples assim, descritível em uma única palavra, foi isso o que senti. E senti na sala de aula, sentanda e impaciente, que eu não tenho futuro.

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