quarta-feira, 3 de agosto de 2011

À espera de um terremoto

Se eu soubesse como descrever a agonia que sinto agora, eu o faria. Em vez disso, desperdiço palavras descrevendo meu cotidiano ou aprimorando o sofrimento que sinto dia sim, dia não. E esse aperto fracote, esse toque irritante bem no meio do peito, que sinto todos os dias, eu ignoro.

Ligo a TV, aumento o som, leio, vejo filmes, decoro músicas, estudo. Tudo para não me encontrar comigo mesma, mas nada funciona. Preciso aceitar essa agonia, essa ansiedade. Comer até saciá-la não vai adiantar nada mais do que adiantou até hoje. E afogá-la em qualquer bebida, álcool ou coca-cola, também não.

Ativei o piloto automático e não sei mais como desligá-lo. Levanto todos os dias na mesma hora, como a mesma coisa, trabalho, tenho aula, sorrio, durmo. Nos finais de semana, até a quebra da rotina já está programada... Estou entediada e ele é a prova de balas.

1 comentários:

  1. Não me identifiquei (tô no extremo oposto de não ter rotina, talvez por motivos até que parecidos), mas adorei a forma como o texto tá escrito, as relações que cê estabeleceu com algumas palavras. Muito bom!

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